Evento Feito pelo LaQuiProN e CTBBioprod chega à segunda edição reunindo especialistas de renome, premiando jovens pesquisadores e fortalecendo redes amazônicas de ciência, inovação e biodiversidade
A Amazônia tem um jeito próprio de ensinar: exige curiosidade, jogo de cintura e uma disposição teimosa para descobrir. O II Simpósio Paraense de Plants Medicinais da Amazônia mostrou justamente isso, a ciência regional crescendo, ganhando musculatura e formando redes cada vez mais robustas. O evento feito em parceria entre LaQuiProN e CTBBioprod , chega no seu segundo ano, já indicando que não é algo episódico, mas um movimento contínuo, quase uma pulsação acadêmica que insiste em se fortalecer.

O encontro trouxe uma diversidade generosa de saberes, com convidados que atravessam fronteiras e carregam trajetórias impressionantes. Entre eles, Dr. Valdir Florêncio da Veiga Junior, referência nacional em Engenharia Química no IME, que veio compartilhar sua visão sobre produtos naturais com a tranquilidade de quem vive há décadas cutucando moléculas para que elas revelem seus segredos. Também esteve presente Dr. Hector Henrique Ferreira Koolen, figura essencial na pesquisa amazônica contemporânea, coordenador do PPG-BIONORTE/AM, líder do CMABio/UEA, vice-coordenador do Mestrado em Biotecnologia e Recursos Naturais da UEA e diretor da Divisão de Química de Produtos Naturais da SBQ. Um daqueles pesquisadores que praticamente vive conectado ao ecossistema amazônico, desconfiando de cada composto e experimentando novas formas de compreendê-lo.



Para quem apresentou trabalhos, o simpósio foi mais que vitrine: foi celebração. Houve premiação de melhores trabalhos orais e banners, uma forma elegante de reconhecer o esforço de jovens e experientes cientistas que transformam dados em conhecimento e conhecimento em possibilidades. É o tipo de gesto que motiva, que mostra que ciência não acontece só no laboratório, mas também no reconhecimento das trajetórias.

A realização do simpósio só foi possível porque muita gente puxou a corda junto. Há um agradecimento sincero à UEPA – CCNT, que acolheu o evento; à Pós-Graduação em Ciências Ambientais da UEPA e ao PPGFC – Programa de Pós-Graduação em Farmácia, que sustentam a formação científica na região; à Rede Bionorte, que há anos trabalha para articular pesquisadores da Amazônia; e ao CNPq, que segue sendo uma das colunas que mantém a pesquisa brasileira de pé, mesmo nos cenários mais desafiadores.

Esse segundo ano marca um ponto importante: a consolidação de um espaço onde povos, saberes, moléculas, plantas e pesquisadores se encontram para pensar a Amazônia desde dentro. A cada edição, o simpósio reafirma que estudar plantas medicinais não é apenas descrever compostos; é compreender relações ecológicas, práticas culturais, potenciais terapêuticos e, acima de tudo, a responsabilidade de fazer ciência na maior floresta tropical do planeta.


A continuidade do evento indica que a região está amadurecendo suas estruturas de ciência e inovação. E, como toda boa corrente amazônica, quando um rio se fortalece, os afluentes também brilham.

