Estratégias bioativas para potencializar a cicatrização de feridas por meio da integração entre biopolímeros e compostos naturais, ampliando as perspectivas terapêuticas na regeneração tecidual

O avanço no desenvolvimento de biomateriais tem se destacado como uma estratégia promissora para aplicações farmacológicas e cosméticas, especialmente quando associado à valorização da biodiversidade amazônica. Nesse contexto, pesquisadores do Laboratório de Química de Produtos Naturais (LaQuiProN/UEPA) vêm desenvolvendo membranas de quitosana funcionalizadas com óleos essenciais e extratos naturais, com foco na obtenção de materiais com propriedades bioativas e potencial terapêutico.
Estudos já publicados demonstram que membranas de quitosana incorporadas com óleo essencial de pau-rosa amazônico, em concentrações otimizadas, apresentam significativa atividade anti-inflamatória em ensaios in vitro, evidenciando a capacidade desses sistemas em modular processos inflamatórios por meio da liberação controlada de compostos bioativos. Esses resultados reforçam o potencial biotecnológico da associação entre biopolímeros e metabólitos secundários de origem vegetal, destacando não apenas a eficácia terapêutica, mas também a valorização de recursos naturais da Amazônia.

Nesse contexto, o desenvolvimento de materiais funcionais à base de quitosana e óleo essencial de pau-rosa surge como uma estratégia promissora para aplicações farmacêuticas e cosméticas, alinhando inovação científica, sustentabilidade e uso consciente da biodiversidade regional.

A pesquisa está sendo conduzida por uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Química dos Produtos Naturais (LaQuiProN), que atualmente realiza ensaios experimentais no Biotério do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Universidade do Estado do Pará (UEPA). A equipe conta com a participação dos pesquisadores Luana Barros, Lucas Barbosa e Eduardo Monteiro, bem como com a colaboração dos discentes Davi Sá e Juliene Rabelo, que atuam diretamente no desenvolvimento e na avaliação dos estudos.
O objetivo central do estudo é avaliar o potencial cicatrizante de biomateriais desenvolvidos a partir da combinação de quitosana, um polímero biocompatível e biodegradável, com óleos essenciais e extratos de espécies nativas da Amazônia, reconhecidas por suas propriedades farmacológicas.


As membranas desenvolvidas apresentam características promissoras para aplicações em regeneração tecidual, atuando como sistemas de liberação controlada de compostos bioativos. A incorporação dos óleos essenciais e extratos visa potencializar efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e antimicrobianos, fundamentais para o processo de cicatrização da pele. Os testes in vivo estão sendo realizados em modelo experimental adequado, seguindo rigorosamente os protocolos éticos e as diretrizes de bem-estar animal.
A pesquisa reforça o compromisso do LaQuiProN com a inovação científica e o aproveitamento sustentável dos recursos naturais amazônicos, contribuindo para o desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas de alto valor agregado. Além disso, destaca-se pela sua relevância científica e social, uma vez que a busca por novos agentes cicatrizantes eficazes, acessíveis e de origem natural pode impactar diretamente a qualidade de vida da população, especialmente no tratamento de lesões cutâneas e feridas crônicas.
A doutoranda Luana Barros, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia (BIONORTE), que coordena os testes de cicatrização com membranas de quitosana falou um pouco sobre a importancia do estudo:

“Os resultados obtidos até o momento são promissores e poderão, futuramente, contribuir para o desenvolvimento de novos produtos com potencial aplicação clínica e impacto social relevante.”
O estudo integra diferentes áreas do conhecimento, como química de produtos naturais, farmacologia, biotecnologia e desenvolvimento de biomateriais, evidenciando o caráter interdisciplinar das pesquisas realizadas no laboratório.
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